o projeto

A construção da cidade, espaço criado pelo homem, transforma a paisagem original e – na maioria das vezes – acarreta na supressão da vegetação pré-existente. As ervas, chamadas “daninhas” por brotarem “irregularmente” em locais “inapropriados”, são o primeiro sinal da recolocação da vida vegetal neste espaço que originalmente era delas.

Em meados de 2010, instigada a entender a metrópole em sua complexidade, passei a observar a grandiosidade de suas construções e inter-relações humanas, culturais, sociais, em contraponto aos mais ínfimos e ocultos detalhes. Para isso precisei primeiramente questionar minha (nossa) existência no meio urbano, entendendo que uma coisa é ver a cidade como observador(a) e outra é viver a cidade como integrante dela.

Num constante e exaustivo movimento de observação e assimilação, meu olhar se erguia em direção às enormes construções e buscava repouso nas miudezas do chão. À primeira vista, o que via sob meus pés era apenas concreto, asfalto. Mas nessa paisagem infértil do pavimento impermeável, onde parecia não haver nenhuma possibilidade de vida, lá estavam elas, as chamadas “ervas daninhas”. Uma pequena fissura no concreto, expondo o solo fértil à superfície, ou um aglomerado de matéria orgânica no canto da sarjeta, viram abrigo de pequenas sementes que conseguem sobreviver e brotar.

Graças ao apoio da Funarte (Prêmio Funarte Mulheres nas Artes) e à colaboração de uma equipe de profissionais, o projeto ganhou, em 2014, uma dimensão muito maior:

Foram realizadas 10 expedições pelo Elevado Costa e Silva, para mapeamento da vegetação que brota ao logo de toda sua extensão, intervenções e registros fotográficos e em desenhos. O projeto levou 4 meses para sua realização e foi concluído com uma expedição coletiva, também registrada nesse blog. As ações do projeto, podem acontecer em qualquer outro lugar.

Esse trabalho é fruto do desejo de um novo tipo de cidade, de uma transformação de nossa relação com o espaço e o corpo, e o blog é um diário de bordo que pretende publicar todo o processo das expedições. Pode ser lido por qualquer pessoa que se interesse por arte, botânica e as questões da vida na cidade.

Convidamos você a se juntar a nós nessa expedição urbana.

O nome, Ervas sp, tem como referência a nomenclatura botânica, em que se escreve o nome científico com letra itálica, inicial maiúscula e, quando não se sabe a espécie, coloca-se sp, abreviação de espécie. Claro, aproveitei para fazer o link com as iniciais da São Paulo, uma vez que o projeto brotou nesta cidade.

7 comentários:

  1. http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/06/quiabo-e-feijao-nascem-em-canteiro-de-obra-parada-da-copa-em-mt.html

    Lembrei do projeto de vocês !

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    1. que demais, lindo de ver!
      pois é, as obras param, mas a natureza nunca!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Que lindo!!! Amei de coração! É lindo de mais!! Parabéns e obrigada por fazer isso em nossa cidade!

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