segunda-feira, 30 de março de 2015

Na 3a feira de carnaval encerramos a etapa das expedições, com 34 intervenções realizadas (ver mapa das intervenções ao lado esquerdo).

Algumas, como disse na postagem anterior, foram encobertas pela pintura cinza-bege da prefeitura, "acidentalmente", assim como a grande maioria dos estêncils ervassp.com, mas todas foram registradas em fotografias e serão publicadas no catálogo do projeto.

Dia 12 de abril haverá uma expedição coletiva no Minhocão, para mostrar as intervenções e a vegetação existente, com oficina de desenho, bate papo (com Laura Lydia e Vitor Barão) e projeção de vídeo.

Segue programação:


Oficina Ervas Daninhas - Desenhando no Minhocão

Ministrada pela artista visual e idealizado do projeto, Laura Lydia.
Horário: 15h às 16h30. 15 vagas.
Inscrição aberta pelo e-mail goitacaproducoes@gmail.com
Local da oficina: na entrada do Elevado, lado Perdizes/Barra Funda.

Expedição coletiva pelo Elevado Costa e Silva para apresentação das intervenções, com a artista Laura Lydia e o biólogo Vitor Barão.
Horário: 16h30 às 17h30.
Local de início: Elevado Costa e Silva na altura do acesso do metrô Marechal Deodoro.

Roda de conversa com a artista Laura Lydia e o biólogo e fotógrafo Vitor Barão
Horário: 17h30 às 18h30.
Local: no Elevado, perto da entrada da Consolação.

Projeção de vídeo no Elevado Costa e Silva.
Horário: 18h30 às 20h.
Local da projeção: na entrada do Elevado, pela parte da Consolação.

Os catálogos serão distribuídos durante a expedição coletiva.

Esperamos vocês lá!



segunda-feira, 9 de março de 2015

A nudez da cidade é cinza...

É previsível que de tempos em tempos uma cidade "limpe" suas paredes, vias, postes, eliminando qualquer sinal de "poluição visual" ou "vandalismo". Para evitar que isso acontecesse no Minhocão, cedo demais, a equipe de produção contatou a prefeitura logo no início do desenvolvimento do projeto. Queríamos evitar que as intervenções fossem encobertas, ao menos durante a realização das expedições. A resposta que nos deram foi de que "pixação" eles pintam, mas "grafite" não. Qual seria o critério? E quem decide? Fica por conta de quem estiver com a tinta e o rolo na mão?

Pois bem, ontem (domingo), fomos ao Minhocão finalizar algumas coisas. Foi uma breve expedição extra. Refiz uma intervenção que precisava de uns retoques e também algumas filmagens das plantas. Notamos que os estêncils ervassp.com, em sua grande maioria, haviam sido encobertos com uma tinta cinza-bege (ou "nude" de cidade, como disse um colega). Então o estêncil era 'pixação'...

Caminhando mais um pouco descobrimos algumas intervenções encobertas com o mesmo "nude". 

Duas dessas intervenções tidas como vandalismo haviam sido as realizadas no último dia de expedição (17/02), estavam vistosas, frescas e lindas. Ontem, estavam desaparecidas...

Sim, é claro que esta ação era prevista, mas não tão logo, e ainda por cima, de maneira tão aleatória. Alguns estêncils encobertos, outros não, umas 3 intervenções pintadas... Entre as manifestações censuradas estavam muitos outros "grafites" ou "pixações", e outras foram poupadas.

P.S.: O curioso, irônico e irritante é que esse projeto só pode ser realizado nessa dimensão porque foi premiado - com verba pública. Agora, outra verba pública é direcionada para uma limpeza (mal feita) da cidade, que encobre parte das realizações do projeto. 

Mas parte, apenas parte.























sábado, 7 de março de 2015

Terça-feira, 17 de fevereiro, feriado de carnaval: último dia de expedição.

Algumas plantas que havíamos mapeado na primeira etapa do trabalho não foram mais encontradas, como a Oxalis corniculata (trevo), no entanto, outras surgiram, como uma muda de jacarandá, que estava linda e vigorosa num buraco da área central da via. Impressionate. Esta certamente não chegará à vida adulta, mas marcamos sua presença, eternizando sua existência por meio do desenho.















Dia 15 de fevereiro, 6o dia no Minhocão - Domingo de carnaval.


Nos últimos dias refleti muito sobre o que pode significar o "desmatamento" da semana passada, e hoje, tenho outra percepção, pensando principalmente nas interferências (ou intervenções) diretas sobre as minhas intervenções...

As ervas brotam. As ervas morrem. São arrancadas, pisadas ou simplesmente não conseguem prosseguir em seu desenvolvimento, em terrenos tão inóspitos.
As intervenções são como registros de identidade, que evidenciam a existência dessas plantas. Para quem as vê como "daninhas", essa atenção que a pintura de cada planta desperta, é um convite para que ela seja arrancada. Da mesma forma como alguém pode ficar fascinado pela descoberta de jardins em miniatura entre os pés e o asfalto, outras pessoas seguem vendo a natureza, ou apenas as plantas que brotam em lugares inapropriados, como manifestações indesejáveis. Minhas intervenções, falam para todos.

Inclusive, tivemos uma surpresa - previsível, esperada, mas não menos surpreendente quando vivenciada. Em apenas 7 dias, muitas plantas que preservavam pequena parte de seu galho, ou raízes, estavam brotando novamente. As inúmeras folhas novas que surgiram de galhos tosados confirmam o vigor impressionante dessas minúsculas plantas.



O Elevado é constantemente ocupado por essa vegetação, e cada vez com mais intervenções.


















Não pudemos ficar muito tempo, pois no meio da tarde começou a chover e meu joelho ficou bastante dolorido. Já não era possível agachar para realizar os desenhos.