quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Domingo, 8 de fevereiro, 5domingo consecutivo no Minhocão.

Desta vez a limpeza pública resolveu eliminar todo traço de vegetação (e será que essa "sujeira" é vista como vegetação?). De quase todas as plantas que mapeamos, restou apenas a sua imagem representada no asfalto... além dos desenhos no caderno.

Certamente eu esperava que isso fosse acontecer mais cedo ou mais tarde, mas ainda assim, senti certo luto. Um garoto que passeava de bicicleta e se interessou pelo projeto, comentou, enfático:
"Pôxa, eles precisam tirar o único verde que tem neste lugar?"

As plantas que brotam nesses lugares "inapropriados" são mesmo efêmeras, e muito! Mas apesar de serem rapidamente eliminadas, não demoram para brotar novamente. A vida pulsa, sempre. É o ciclo da destruição e do renascimento.

Apesar da "limpeza", encontramos diversas plantas escondidas.


























quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015


É possível fazer uma relação entre a espontaneidade das plantas e a luta por novos territórios na sociedade. A persistência das ervas é uma metáfora da presença do homem no espaço, em busca do direito à vida, do direito à cidade. 

Domingo, dia 1, encontramos diversas ervas arrancadas, inclusive algumas que faziam parte das intervenções. Não parecia ser ação de limpeza pública, mas uma atitude agressiva, ou no mínimo indiferente ao projeto. 

Uma gari, que parou para conversar, garantiu que as ervas tinham sido arrancadas por algum pedestre, e, interessada no desenho que via, comentou: "... é como se fosse outra vida", referindo-se à intervenção.

A planta deixa de existir, mas fica a memória de usa existência, marcada numa lápide.

Quando marquei esse ponto para desenhar a Bidens pilosa, haviam várias, todas lindas, vivas e floridas, protegidas nesse canteiro improvisado. Podíamos até ver buquês de carrapichos, existentes apenas em plantas maduras. Domingo, no entanto, quando me aproximei do local para realizar a intervenção, vi que não restava quase nenhuma planta...



Isso aconteceu com outras plantas, como a Alternanthera tenella. Só restava um toco enraizado. Fiz a intervenção a partir do desenho que havia feito dela, na fase do mapeamento. Das plantas restam os registros.





















Mas muitas plantas continuavam lá...