segunda-feira, 21 de março de 2016

Há exatamente um mês (dias 20 e 21 de fevereiro), aconteceu a segunda edição da oficina "Ervas daninhas: ver e tornar visíveis", no SESC Bom Retiro, São Paulo, após a conclusão da intervenção nas escadarias, Ervas sp | Ocupação Bom Retiro.

A oficina, criada em parceria com Vitor Barão, nasceu do desejo de criar um encontro de desenho que fosse uma junção entre as artes visuais e a botânica, e teve sua primeira edição no SESC Campinas em meados do ano passado. 

O encontro foi realmente lindo. Olhar as plantas de perto, investigá-las por sua beleza e peculiaridades. Lambê-las com os olhos e deslizar as mãos para conhecê-las. Desenhar segue sendo uma das melhores maneiras de ver - o que se desenha e o que se é. Desenhar é construir uma relação com o que se vê, conectando-se internamente consigo e com o outro.

Conceitos de morfologia botânica serviram de ferramenta preciosa para se entender e conhecer essas pequenas plantas esquecidas nas sarjetas, e portadoras de tanta potência.

Os desenhos produzidos pelo grupo revelou grande envolvimento e muita sensibilidade!

Fotos belíssimas para mostrar um pouco de como foi (na sua maioria de Vitor):























quarta-feira, 2 de março de 2016

20 de fevereiro, depois de 5 dias intensos em São Paulo, finalizo as pinturas nas escadarias. A meta era uma para cada espécie encontrada, no entanto, como de costume, muitas das que havia encontrado no início da semana já não estavam lá, entre elas a goiabeira, a amoreira, a Conyza... e outras novas já haviam brotado. O mapeamento é um ciclo quase sem fim, pois uma planta arrancada geralmente brota novamente, mas pode acontecer de nunca mais aparecer no mesmo local e outras novas seguem surgindo. Nas escadas, estão todas desenhadas em escala um pouco maior, mas seguem discretas, exigindo de quem passa, um olhar atento. Sim, essas plantas todas estavam lá fora! O olhar atento dentro segue atento fora.

A intervenção, "Ervas sp | Ocupação Bom Retiro", apelidada pelo SESC de "Botânica do Bairro", levou as pinturas originalmente da rua, para o espaço interno. O desenho mudou, a relação com o espaço mudou, mas as protagonistas seguem sendo as ervas "daninhas", marca de resistência e força.

O Ervas sp é um projeto de arte, que acolhe essas pequenas manifestações de vida como metáfora das batalhas humanas pelos direitos de todos e pela liberdade. A botânica é uma área parceira, que contribui com ferramentas para entender a natureza, na sua estrutura, função e origem.

A seguir, algumas fotos da intervenção 
(por Vitor Barão)












São Paulo, 15 de fevereiro. Deixei a cidade do Rio de janeiro, onde moro, no aniversário da minha filha, para chegar em tempo ao SESC Bom Retiro e mapear as ervas espontâneas da redondeza. Depois de um calor fora do comum chegou a chuva, que me obrigou a adiar o mapeamento para o dia seguinte.
3a feira comecei cedo e mesmo antes do SESC abrir dei início à expedição. Encontrei muitas espécies, mais do que eu podia prever, dando apenas a volta no quarteirão. A maioria eu já conhecia, mas algumas eram novidades para mim, todas instigantes, como sempre. Entre bitucas de cigarros, fezes, camisinhas usadas, e tantos outros lixos, encontro Portulacas, Oxalis, Amaranthus, Oldenlandias, mudas de goiabeira, amoreira, mixiriqueira e tantas outras, ervas, ou árvores. Se não fossem arrancadas, em pouquíssimo tempo essas plantas discretas preencheriam as cidades de vegetação. A vida segue pulsando. Persiste.

Atrás do SESC está a Cracolândia. A movimentação pelas ruas era sempre intensa. Não faltaram olhares curiosos interessados em saber o que eu poderia estar procurando naquele chão inóspito, mas também não faltaram comentários surpreendentes e provocadores. Estar na rua desenhando as plantas é estar na rua vivendo a rua, intimamente. 

No dia seguinte finalizei a busca, desta vez na companhia do Vitor, e em seguida dei sequência às intervenções.

Aqui, algumas imagens do mapeamento, por Vitor Barão:












quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Oficina "Ervas daninhas: ver e tornar visíveis" desenvolvida em parceria com o biólogo Vitor Barão, no Sesc Campinas, dias 25 e 26 de julho. 

Nesta oficina os participantes se apropriaram de diversas maneiras de se observar uma planta e criar registros: desenho, descrição textual de características botânicas, impressões, passeios pela área externa para coleta de amostras, munidos de lupas contafios... Cada um confeccionou uma mini prensa de flores e um caderno sanfonado, para a realização dos desenhos. 

Estas experiências possibilitaram a reflexão sobre nossa relação com a natureza, com o olhar sobre as pequenas manifestações de vida no ambiente urbano, além do resgate da nossa relação com o desenho e as práticas manuais. 

Esta proposta parte da ideia de que é possível trabalhar de maneira aprofundada a união entre as diferentes áreas que dialogam entre si e se complementam, no caso, a arte e a biologia. O desenho, que ajuda a instigar o olhar curioso e atento, e a entender a estrutura e a morfologia das plantas; as técnicas de identificação botânica que ampliam a capacidade de reconhecer a natureza e a vida ao nosso redor. Acreditamos que não existem fronteiras tão precisas que separem as áreas do conhecimento, e sim, que todas são formas diversas de entender e assimilar as coisas da vida.


(Fotos: Vitor Barão e Laura Lydia)